Onde tu me deixou não tem volta, me sinto sozinho, encurralado, e o pior de tudo, me sinto incapaz, me sinto ansioso ao ponto de alucinar em cada segundo que passa, ao ponto de enlouquecer e me tornar são a cada piscar do teu olhar frio e evasivo. Tu me condenas com silêncio, me tortura com indiferença e me desarma com desprezo, sabendo cada ponto fraco dessa mente já maltratada e confusa, que cada vez mais tenta buscar alento em ti e cada vez mais falha e cada vez mais se afunda, assim, rumando ao fracasso, de maneira homérica, tento maquiar meus sentimentos, tento esconder os meus mais sinceros pensamentos que na verdade tem força para explodir toda a Ásia, quiçá o mundo. Não te mostro o rancor, o ódio e o sentimento recalcado que existe dentro de mim, por conveniência, medo ou indecisão, não sei, o que sei é que sempre foi e sempre será mais forte do que eu e essa tua indiferença me faz refletir e gastar cigarros como gasto segundos e unhas, desperdiçadas num vazio de algum bar ou sarjeta em que me encontro, fingindo ser alegre, porque a felicidade ainda não consigo imitar. Disfarçando tristeza e emulando alegria sigo todos os meus dias, e quando deveria estar sorrindo, estou pensando, estou sendo triste, arrependido, praticamente um mártir que na verdade é uma grande mentira, tão grande quanto o ódio, tão grande quanto a indecisão e o medo, de que nada dê certo, de que simplesmente tu realmente se esqueça de tudo e ignore que existiu algo intenso e sincero a tanto tempo e que meu coração ainda sente a merda da ferida aberta como se fosse de ontem, como se eu não tivesse feito nada depois que essa ferida se abriu. Os dias foram simplesmente acontecendo sem que eu percebesse, e ainda não acordei, vivo no automático sendo visto por todas as pessoas que sempre me viram, mas disfarço tão bem(ou me convenço tanto de tal) que ninguém percebe e ninguém comenta, mesmo que eu grite eternamente aos ventos e a deus não importa, Tu não vai ouvir.
O ódio já é um sentimento familiar, o vazio já é um lar e a solidão já é amiga. Fiquei preso no passado, não sei como te dizer tudo que sinto, não sei se existem palavras tão grandes, preferi me calar pra sempre e deixar as coisas fluírem de um jeito natural, mas não é natural, é vazio, sem graça, é melancólico até as últimas consequências, assim como somos nós, com olhares e abraços totalmente descompromissados e mentiras convexas que nos levam a crer em nada, e faz do nada palpável de tal modo que é real, e atormenta, bastante, além de doer, e como dói.
Guilherme Pollaco
Guilherme Pollaco
