segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

Ásia

Onde tu me deixou não tem volta, me sinto sozinho, encurralado, e o pior de tudo, me sinto incapaz, me sinto ansioso ao ponto de alucinar em cada segundo que passa, ao ponto de enlouquecer e me tornar são a cada piscar do teu olhar frio e evasivo. Tu me condenas com silêncio, me tortura com indiferença e me desarma com desprezo, sabendo cada ponto fraco dessa mente já maltratada e confusa, que cada vez mais tenta buscar alento em ti e cada vez mais falha e cada vez mais se afunda, assim, rumando ao fracasso, de maneira homérica, tento maquiar meus sentimentos, tento esconder os meus mais sinceros pensamentos que na verdade tem força para explodir toda a Ásia, quiçá o mundo. Não te mostro o rancor, o ódio e o sentimento recalcado que existe dentro de mim, por conveniência, medo ou indecisão, não sei, o que sei é que sempre foi e sempre será mais forte do que eu e essa tua indiferença me faz refletir e gastar cigarros como gasto segundos e unhas, desperdiçadas num vazio de algum bar ou sarjeta em que me encontro, fingindo ser alegre, porque a felicidade ainda não consigo imitar. Disfarçando tristeza e emulando alegria sigo todos os meus dias, e quando deveria estar sorrindo, estou pensando, estou sendo triste, arrependido, praticamente um mártir que na verdade é uma grande mentira, tão grande quanto o ódio, tão grande quanto a indecisão e o medo, de que nada dê certo, de que simplesmente tu realmente se esqueça de tudo e ignore que existiu algo intenso e sincero a tanto tempo e que meu coração ainda sente a merda da ferida aberta como se fosse de ontem, como se eu não tivesse feito nada depois que essa ferida se abriu. Os dias foram simplesmente acontecendo sem que eu percebesse, e ainda não acordei, vivo no automático sendo visto por todas as pessoas que sempre me viram, mas disfarço tão bem(ou me convenço tanto de tal) que ninguém percebe e ninguém comenta, mesmo que eu grite eternamente aos ventos e a deus não importa, Tu não vai ouvir.
O ódio já é um sentimento familiar, o vazio já é um lar e a solidão já é amiga. Fiquei preso no passado, não sei como te dizer tudo que sinto, não sei se existem palavras tão grandes, preferi me calar pra sempre e deixar as coisas fluírem de um jeito natural, mas não é natural, é vazio, sem graça, é melancólico até as últimas consequências, assim como somos nós, com olhares e abraços totalmente descompromissados e mentiras convexas que nos levam a crer em nada, e faz do nada palpável de tal modo que é real, e atormenta, bastante, além de doer, e como dói.

Guilherme Pollaco

sábado, 17 de novembro de 2012

Biografia retórica

Nem sei como aconteceu, simplesmente me pegou de surpresa, e não foi amor. Me deixo levar por vários sentimentos, que nem sei se sentimentos mesmo são, e assim vou me levando na incerteza de uma ilusão que possa aparecer, para iluminar meu caminho. Guiado por trevas e pessoas que já perderam a bondosa forma humana para se tornarem dementadores em minha triste derrocada ao incerto. Permeio minhas decisões de dúvida e impulsividade, me deixo levar por lábias que na verdade não me passam de asneiras jogadas ao vento, por simples sedução do destino e vontade de tomar outro caminho, mais insólito, porém desconhecido e pecaminoso,  podemos assim dizer. 
Não entendo tudo que me perpassa, não por falta de tentativa, mas talvez por falta de capacidade e de longe observo a senilidade me esclerosar muito antes do tempo, com certeza, tanto a frente do tempo me encontro, mas não de pensamentos, ideias ou maturidade, mas de preocupação, de demência, rancor e melancolia, torno-me meu próprio asilo, por assim definir, e com isso abro as portas de meu coração para espíritos igualmente envelhecidos, ou melhor dizendo, arrependidos, e além de tudo, sujos e empestados de sentimentos horrendos, deprimentes e repudiáveis, de maneira que apenas eu consigo aguenta-los, sendo o enfermeiro de todos. Me sinto tão sujo ou mais do que os tais espíritos. por isso cuido de todos eles com muito ódio, tristeza e furor, do jeito que os malditos gostam, e isso se tornou intrínseco a mim, pelo menos é o que parece, pois os cultivo de uma forma tão próspera que acredito que seja a única coisa que parece produzir fertilidade nesse coração podre e possesso. O ultraje passou por aqui a muito tempo, a depravação já foi um hobby, agora apenas resta o ódio, que é o único sentimento que remanesceu nessa derrocada e o vício frenético e a abstinência de várias substâncias elementares se confundem com um vazio rancoroso e tristonho que perpassa e enlouquece minh'alma de tal jeito que meu ego se esvaí, e assim vou eu, sem objetivo, sem trocados no bolso, sem uma boa conversa para se aproveitar, sem nada, o que me resta no bolso é apenas o ódio e falo tanto nessa palavra para que entenda a magnitude desse sentimento, único e afável. 
Passando por pessoas e páginas da internet me sinto ainda mais louco e senil, vendo a falsidade em cada sorriso, em cada foto, a futilidade estampada no rosto das meninas adolescentes de 15 anos que tentam se passar por mulheres mas ainda estão aprendendo a andar de salto alto, os homens mais velhos tentando se passar por meninos para conseguirem pelo menos um papo com a tal garota que foi citada logo ali em cima e vendo tudo isso de fora, me incomodo por me incomodar com isso, entende? Nunca disse que seria fácil. Parece que as vezes meu pensamento se confunde, perco a linha de raciocínio e acabo sendo metalinguístico sem querer, mas é a falta de propósito, personalidade ou inspiração, chame como quiser, o que me importa é que pelo menos o ódio amoroso passou, agora é só ódio mesmo, puro, encarnado, concentrado, misantrópico por definição. Meus pensamentos contrariam totalmente a vontade do universo, e de uma maneira que chega a beirar o estúpido, me sinto a teoria da conspiração escrevendo para a merda de um diário que ainda critico de forma falha e pouco persuasiva. Já não me interesso em agradar, já não me sinto a vontade para conversar, não tenho paciência para desculpas e não quero muito menos alguém tentando dizer-me que isso passa em pouco tempo, pois não é isso que pretendo, não estou me queixando, relatos são relatos. Atualmente, não consigo mais sorrir para o irritante, e não consigo esconder velhos pensamentos, que rodeiam minha mente e volta e meia escapam de mim, como punhaladas nas costas de quem falo e já não me importo prefiro vir a falecer um misantrópico do século XXI que passou por todas as fases das doenças modernas e acabou se tornando um hipocondríaco desprezível, do que apenas assistir aos cuspes que cada sujeito dá na minha cara, e toda vez que me incomodar, vomitarei palavras e sangue até sentir o ódio calejado em meu coração novamente. Me sinto podre, difamado... 

Guilherme Pollaco

terça-feira, 21 de agosto de 2012

Nota de fim de noite

Unhas roídas, cigarros mortos no cinzeiro, e assim meu coração, confuso e constante, como a madrugada, cheia de mistérios, assim como você. Negação e confusão se tornam igualmente perigosas para minha humilde compreensão, que cada vez mais brada por respostas, as quais não consigo achar, nem tento muito na verdade, a cada trago uma dúvida, a cada dedo, uma agonia, a  cada sentimento, uma certeza, que se atira da janela, num suicídio impiedoso, debaixo do prédio meu coração observa incrédulo a postura egocêntrica e arrogante de um suicida sem causa. Mas por que escrever? É só confusão oras! 
Tente me fitar por 5 segundos e perceberá a indecisão presente em cada olhar, basta me conhecer pra saber que perdi meu foco e minha sanidade em algum bar, ou dentro de alguma garrafa que quebrei na parede, provavelmente por inconsequência, adolescentes... Não há conserto, como não há concertos, a música parou dentro de mim, esperando alguma decisão desse maestro que não para de mudar o tom da canção, decida-se grande mestre, afinal. Passo despercebido nos olhares cristãos de um ciclo vicioso de acontecimentos rotineiros, para enfatizar. Estou igualmente perdido a um futuro que já não me pertence, enchendo de ilusões e preenchendo o vazio com futilidades icônicas!! Queria eu poder engolir algum resquício de luz ou esperança, mas cuspi todos, me enganei, os confundi com os sentimentos que me permeiam; apenas uma linha seria esse texto, que se dane. 
Por onde entrei, e será que tem saída? Creio que não creio e assim sigo, lamentando sucessões de fatos dos quais me arrependo e não sei lidar, muito menos descrever, por isso a subjetividade, por isso a falta de coesão e coerência textual. Acenda uma vela, quebre o vidro da minha janela, quem sabe eu acordo e começo a viver, de alguma maneira ou de outra, mas enquanto isso não acontece, vou enganando a todos, inclusive a mim mesmo, tento dizer que estou vivendo, mas não consigo sussurrar que estou morrendo, é complicado, talvez tenha algo haver com o orgulho, ou com a falta de discernimento necessário para perceber a beira do abismo, ou o fundo dele, como prefiro. Palavras completam meu pensamento, agindo normalmente para todos, mas meu ego reclama, e com tal constância que me sentiria mais confortável numa camisa de força, sedado, ou não, cruzes. 
Ah, aprendi a repelir as pessoas interessantes de perto de mim, inconscientemente ou não, mas aprendi, um ponto por aprender alguma coisa. Ando fazendo isso bastante, mas continuo sabendo enganar a todos, de maneira dissimulada, aplausos. Arcar com responsabilidades não significa nenhuma lucidez, o foco que perdi, por outro lado, demonstra loucura total, e isso cada vez se torna perceptível a minha insana mente confusa. Não consigo me satisfazer, não consigo me preencher, cavei um buraco grande demais para ser totalmente preenchido, uso tanto essa palavra, acho que sei o porquê. Preciso, peço, imploro, que os espaços acabem, que pessoas ocupem esses lugares, no camarote... e com amor, por favor. 


Guilherme Pollaco

terça-feira, 24 de julho de 2012

Sincero

Eu penso, e muita coisa geralmente me escapa a mente, mas eu tento, organizar pensamentos como pastas em arquivos de escritório, e assim vou queimando toda a minha sanidade, com o mesmo isqueiro que geralmente uso pra acender meu cigarro, assim queimando também a agonia que me perpassa os dedos e me rodeia, de madrugada a madrugada. Penso nas fotografias, nas rosas, na última das rosas... 
Penso em novas ideias, que acabam igualmente se perdendo num vazio complexo, que volta e meia se enche de ideias inúteis, e como vou explicar?! Meu coração sente a pressão e a confusão que minha mente traz a tona.Me perco em relacionamentos, olhares e sorrisos que já não entendo mais, ou nunca entendi. Os dias vão se tornando cada vez mais confusos e absolutos, cadê a tal da droga certa pra conseguir esquecer tudo isso?! Minhas perguntas já não fazem mais sentido, por não terem respostas. Minha mãe sempre se pergunta como entender seu filho, e não tenho respostas, pois as mesmas não existem. As minhas músicas e poesias transpassam a barreira do confortável ou do romântico para irem além, vão ao que chamo de PSIcotrópico, na minha definição, por favor. Um xícara de chá pra ajudar a engolir essa madrugada terrível, em que clichês e confusões me assombram e zunem em meus ouvidos, não existe nenhuma que seja aproveitável, no sentido de compartilhar, pois são pensamentos que não se completam, assim como minha vida, que fica sempre com um buraco insolúvel que tende a aumentar a cada nova descoberta, ou a cada nova dúvida existencial ou criacionista, envolvendo um punhado disforme de conceitos nada coerentes. Só me enervo ao tentar enxergar solução ou esperança, e vou conforme o tempo, que creio já ter perdido a sanidade a mais tempo que eu. 
Já não sei se é certo ou errado, já não sei o que é gramática e já perdi a noção do que fazer em algum momento de loucura igualmente senil como este a que vos escrevo. Composições brilhantes já não tem sentido, ou nunca tiveram, e perco a capacidade de ser conciso e sincero a cada linha que tento, ainda que de maneira preocupada, escrever e expressar. Cheio de vírgulas escrevo uma batalha existencial, sem personalidade alguma tento encher meu coração de algo mais doce e coeso, mas já perdi minha vontade de ser são junto com minhas chaves, meu fósforo e meu cigarro que deixei no teu criado mudo. 
Por um segundo se coloque estrategicamente ao meu lado, e me ouça falar e resmungar por 5 segundos, não se importe se eu pegar o violão pra tentar te mostrar alguma coisa, também não se importe com o encanamento estourado do meu quarto, e tente não se enjoar com o terrível cheiro de cigarro, são minhas tentativas de interação, são meus olhares terrivelmente perdidos, lutando para tentar lembrar a data de alguns fatos nada importantes, apenas para parecer sadio e lúcido, mas na verdade sou um lunático a procura de perdão e a procura de sentimentos, novos, pois já engavetei no porão aqueles outros, que devem estar se empoeirando lá embaixo, já não ligo. Tenho receio do que estar por vir, e temo, calado e retraído quase que um resignado a algo desconhecido, não necessariamente ruim, mas é aquele velho medo do inesperado, o soco na mente. O que passou ainda me incomoda, ainda que sedado, o passado tende e pretende me incomodar pra sempre, sinto isso dele, mas não deixo, e restabeleço as memórias do meu jeito esquizofrênico de sempre. Não me sinto doente, me sinto diferente e pronto. Me sinto a parte de um processo que parece ser só meu, egocêntrico assim, porém sincero e sentindo um dia de cada vez, lendo uma notícia por vez, sentindo as folhas de inverno caírem uma por uma, analisando um olhar a cada fitada e me aprofundando onde julgo ser necessário para que assim me torne um pouco mais sensitivo e consiga saber quando e onde pisar, sem cair, sem perder mais um pouco da noção, tento e tento ser mais analítico, mas nem tanto se não a vida perde a graça e minhas músicas e poesias perderiam todo o resto do sentido que lhes sobra. 
Essas fotografias, vídeos e músicas já não me cabem mais, como roupas adoráveis, porém apertadas, e pretendo queima-las não doa-las, para que ninguém tenha esse fardo por perto, não é questão de levantar a cabeça e seguir em frente, pois assim só conseguirei dar o próximo passo, para cair de novo. Quero ouvir teus passos, e todos os outros, para me manter longe, mudar de cidade se for preciso, quero novos rumos, mais otimistas e aventureiros, quero não me jogar de cabeça em tudo, mas quero que tudo venha a minha cabeça, para poder me sentir um pouquinho no poder, e parar de te escrever para que assim minha mente se acostume com outro tipo de droga, uma mais pura, nova e destrutiva de uma forma diferente, sendo piegas. Vou atirar minhas flechas em outro reino, vou beber em outro pub, e fumar em outra varanda, não mais aqui, onde a cerveja é barata porém ruim, onde o gim não tem mais aquele gosto doce, de flor. Outras músicas e damas me interessam, outras roupas servem perfeitamente em mim e outros ambientes me parecem agradáveis para uma boa dose de conhaque, com outros amigos, de outra banda, que veio do outro lado da cidade, para compartilhar o mesmo sentimento comigo, o diferente, e até mesmo o ilegal. Vejo outras pessoas tentando vender suas histórias a outras pessoas, que pensam em compra-las, e me sinto ridículo e ao mesmo tempo orgulhoso de não me vender. Não me interesso por estilo, por propagandas pessoais ou qualquer outro tipo de merchandising barato, quero pessoas, quero amores, não quero me decepcionar por esperar demais o trem ou outros manequins ambulantes, cansei de olhar por vitrines de lojas baratas e preços miseráveis, e torne a me dizer que vai valer a pena, pois nada vale a pena, até se tornar sincero. 


Guilherme Pollaco 

domingo, 15 de julho de 2012

Putrefação ilícita de um Louco

Sinto novamente a agonia correndo em minhas veias, tão visceral quanto uma chacina impiedosa, que me corrói, que me atira num mar de solidão e rouba de mim tudo o que é puro, inocente e prazeroso, assisto de camarote a derrocada de um viajante que clama e chora por atenção, jogado ao destino que o próprio escolheu, com decisões precipitadas e adolescentes. Perdendo inclusive a criatividade continuo pelo caminho do orgulho que sacia momentaneamente meus desejos carnais, por um segundo sinto-me inerte e assim tento prosseguir, sem sucesso, a loucura me permeia, me domina, e bipolar sigo pra duas vidas totalmente distintas, o clichê do existencial. 
A misantropia não me parece má ideia, analisando friamente meus iguais, de maneira quase que anatômica, e assim consigo criar um ódio quase que apocalíptico de tudo, de todos e da maneira mais dissimulada escondo no meu profundo intimo essa raiva esquizofrênica, para que possamos continuar a viver nesse hospício que chamamos de sociedade... 
Cálculos e esperanças já não fazem parte de meus pensamentos, cada vez mais tendenciosos e confusos. Minha mente permanece um tumulo, cheio de cadáveres, ideias, minhas ideias. A carnificina não me apetece, porém sinto um leve prazer desgostoso no tocante de vícios, vícios esses que batem a minha porta e esmurram meu coração, e sinceramente, os deixo entrar, e assim se esvaí minha sanidade e também minha agonia, de maneira ainda que paliativa. O que posso dizer?! Simplesmente encaro a realidade como devo encarar, e me destruo de forma disfarçada, meu corpo não sente, já minha alma... Crio doenças de manicômios em minha mente, traço tumores em minha áurea, consigo inclusive corromper minha líbido, de tal forma que chega a ser explícito, nunca me senti tão porco. A verdade dói, a verdade sem filtro, o cuspe na tua cara arde, porque cuspo ácido, intenso e merecido e com isso me torno um pouco mais humano, não sinto o escárnio fétido que deixei na mesa daquele bar podre, cercado de prostitutas e velhos que já perderam sua dignidade para o álcool. Já não me importo com o próximo passo, muito menos me importo com que tu diz, já não faz diferença, a única coisa que me importa é tentar diminuir o peso secular e sombrio que assola minha alma, que se apodera do meu sorriso e da minha felicidade, se é que essa droga psicotrópica existe, e se existe compro pelo preço que for, dizem que não tem preço...




Guilherme Pollaco 





terça-feira, 3 de julho de 2012

Não a perco

Me diz o que te fez mudar, sabe guria, tanto tempo que passou e ainda não consigo olhar pra ti sem lembrar de cada beijo que te dei, de cada foto que tiramos, tô deixando meu cabelo crescer, tô meio desleixado sabe? Aquele velho clichê de não saber por que o relacionamento acabou ataca de novo. A gente acaba pensando um monte de besteiras e acaba não concluindo nada, só fuma mais e mais, tentando abafar nos pulmões a agonia que na verdade vem do coração, e que sufoca do mesmo jeito. Eu não vou te esperar, porque na verdade já cansei de te pedir ajuda, ainda que muito calado e quase imperceptível, tento não mais me abalar com tuas passadas diárias e assim, te vendo de longe prefiro continuar, até o dia em que nunca mais vamos nos ver guria. 
O vazio nem incomoda mais, o que me perturba é que nas minhas tentativas de encontrar algo de valor, me afundo de novo em papéis, tintas e tabacos, e pra variar, molho tudo com as minhas lágrimas, já não sou mais a felicidade que faz o menino, e sim a decepção que fez o homem. Desperdiço toda minha felicidade em ti e todas as minhas lágrimas no poço bem fundo, onde, no final desse poço, está meu coração, jogado, sujo, sem dono, apenas esperando o socorro, que nem tão cedo aparece, e que a muito tempo abandonou esse pobre para tentar conquistar outros. 
Na solidão da noite, lembro da rua, dos dias, das noites intermináveis, da poesia ecoando por todas as paredes, além das melodias que trazem de volta um tempo inocente, cálido e tão sublime, mas que já passou e passou como um turbilhão, e assim virou passado. Agora esse passado me atira na parede, como se quisesse se vingar por algo que aconteceu, porém não devo nada a ele, ele ficou com meu coração oras, justo! Ele não pensa assim, quer levar além do meu coração, minha alma e minha capacidade de sorrir. Eu, resignado, deixo o passado levar o que quiser, pois penso que o futuro pode ser promissor, e assim vou pensando. 
Eu já perdi a razão, o coração, estou prestes a perder a alma, mas não perco minha esperança, e não a perco do pensamento, sendo sincero. 


Guilherme Pollaco

Berros e Sussurros

Vou de berros a sussurros em menos de um minuto, esse sou eu, lunático, perdido em melodias dançantes e conturbadas, que me levam a um túnel tão psicodélico quanto eu e o tempo juntos, e nesse caminho me encontro perdido em epopeias e batalhas conscientes e impiedosas. Indefinível como o clima que nos aquece e esfria, tento me encaixar num circulo, e de maneira falha, bravamente consigo almejar outros espaços, onde brevemente me encaixo, até a próxima decepção inerente a mim. Assim se esvaem os meus dias, a cada cigarro deixado no cinzeiro, a cada respiração doentia, transcendo a um estado de incompreensão humana. Todos me entendem, por pouco tempo, tempo necessário para perceberem que não estou aqui, minha alma foi levada a muito tempo, por outras pessoas, que a cada toque em meu coração, levaram um pedaço de mim, ainda que de maneira egoísta e desregrada sinto-me incompleto e assim vou, me corroendo a cada pensamento, que vem como um tiro a mente, sem motivo. 
Cresci e enlouqueci, e por isso não me defino, por isso não sei quem sou, sei o que quero, quero viver, sem barreiras, sem clichês, pois tenho uma história nova pra contar, nada de repetido, ou nada que ninguém tenha visto, é a minha história, do meu jeito. Por isso corto meu cabelo da maneira que quiser, troco a marca do meu cigarro da maneira que bem entender, por isso saio de sandálias num dia, e no outro saio de terno e sapatos, só pra não morrer no tédio da mesmice, corro junto com os dias, que mudam a cada segundo. 
Que tal me deixar mudar, pintar o cabelo, me deixa sair de boné na rua, me deixa transcorrer as avenidas de samba-canção, me deixa perder a noção do tempo, não quero noção de moda, muito menos de etiqueta, deixe meus modos como estão e assim vou, amadurecendo num frenesi de pensamentos e num transtorno existencial de ideias, onde me perco e me encontro o tempo inteiro, não sei se berro ou se sussurro, farei os dois.... 


Guilherme Pollaco 

quarta-feira, 27 de junho de 2012

Clichê.

Eu pareço muitos, e muito me parecem iguais, e vivo assim, na ternura de encontrar alguém que me pareça mais, que mais do que pareça, que complete, que traga o clichê, a vontade de amar e a vontade de me dedicar. Preciso dos meus amigos quase que o tempo todo, pra me lembrar que existe razão pra amar, razão pra existir. 
Tô tão diferente, tu tá muito diferente, tá tudo diferente, mas continuamos os mesmos quando nossos olhares se entrelaçam em um frenesi que quase nos leva a óbito, num infarto fulminante de lembranças e saudade, o coquetel nostálgico que nos brinda com mais uma festa. Me encolho no banheiro e penso: chega de lembrar. Como se em algum momento da vida eu tivesse controle sobre minha mente doentia e nostálgica, completamente apaixonada pela vida e acima de tudo, disposta a passar por todas as experiências. É como se em outra vida eu fosse algo tão insignificante que minha alma aproveitou essa encarnação para sofrer e sentir por completo, e estamos conseguindo, juntos. Sou eternamente e adolescentemente apaixonado, e por isso me atiro em penhascos femininos com tanta facilidade que poderia escrever um livro chamado: 'Como arruinar um relacionamento em 2 dias.' 2 dias, seria muito...  A noite chega, ainda mais em Junho, que me traz esse vento que gela a ponta do nariz, as bochechas, e esse mesmo vento traz mágoas de tempos passados, num absurdo incrível de magnitude, um leviatã de lembranças que ficaram mal resolvidas e abismado, tento reverter essa condição inóspita, logo me jogarei em um buraco junto com esse monstro. 
Me perguntaram diversas vezes quem eu sou, mas acho que tu consegue responder melhor do que eu, talvez. Não sei quem sou... 


- Guilherme Pollaco

Perdão

Não sei se o avalanche de ideias ininterruptas me levarão a algum lugar, sei que o lugar da onde saem tais avalanches é um lugar quente, mais quente do que meu coração e mais frio do que tua mente, e talvez por isso me importe tanto com o futuro e me importe tanto com o que tu fala. Me apaixonei diversas vezes, imaginando gurias que seriam ideias, sendo inclusive seletivo, de maneira vulgar, e me deparei com transtornos existenciais, precipícios convidativos a um pulo e armas loucas para dispararem. Deixei de existir e me atirei num cata clisma, e me alimentei de poesia e música, além de vários maços pra te esquecer, ou pra suprir a falta que tu faz.
Nunca fui o poeta ideal, nem mesmo um poeta sou, vivo como lunático e ainda me orgulho dessa denominação que colegas a mim atribuem, pois pra mim não sou nada, não passo de um rascunho a ser desenhado na parede de um quarto de uma guria de 4 anos que acaba de descobrir uma caixa de giz de cera. Que nem eu lembra?! Quando te descobri, parecia um guri que acabou de aprender a soltar pipa, e só queria leva-la longe, o mais alto que puder, pra ser só minha. Minha mente me atormenta e me controla, o êxtase do vício já não traz tanto conforto quanto teu colo, te perdi no meio de tantas letras, cartas e poesias inacabadas... Sabe quando tu quer encontrar a pessoa, mas ao mesmo tempo tem muito medo desse encontro?! Eu me sinto assim, e prefiro amordaçar todos os meus sentimentos, os mantendo em cativeiro constante, até a morte, que se sufoquem, ou não. 
Eu perco meu tempo e meu dinheiro com coisas que na real queria dar pra ti, mas tu preferiu outros presentes, outras melodias ou melodia nenhuma, como prefiro pensar. Se tu chegasse hoje, no clichê do romance, não sei o que faria e sendo assim, prefiro igualmente não pensar, pra não possibilizar a ideia na minha mente tão frágil, que só de pensar em te ter, abraça o pensamento. A insonia já nem me incomoda, o que incomoda mesmo é ele gritando dentro de mim, pedindo pra sair e não sei como liberta-lo, é amor, fica aí dentro mesmo que já dá pra viver, ou não. A loucura beira ao tédio da rotina, e assim caminho parado pra lugar nenhum, sem sabedoria adquirida e nem vontade de ter nada, assim fico, filosofando a parede e de maneira quase que involuntária, me atiro contra, tentando trocar de vida, tentando permanecer firme, gelado e uniforme, assim como a parede, que tanto me escuta.
Perdi a validade, a vaidade, perdi-me.   




- Guilherme Pollaco

domingo, 24 de junho de 2012

Hospital

O que poderia acontecer, se por acaso me perdesse em teu olhar, se por outro acaso me deixasse ser levado pelo turbilhão de emoções que perpassa e atormenta minha mente, num frenesi adolescente, me mato e me embebo em paixão, em dor, e no mais fútil clichê de um filme hollywoodiano. Que me perdoe a razão, pois a perdi a muito tempo atrás, tentando encontrar alguém pra me curar dessa loucura, mas percebi que não era doença, mas faltava, sempre faltou... Faltou sentimento, alma, esperança, faltou você. 
Eu desisti de tudo muito rápido e assim foi minha derrocada, tão singela e implacável. Caí como um brinco de uma moça qualquer que se perde na imensidão de um momento de prazer. Essa mesma moça também perdeu outra coisa: deixou cair em algum buraco meu coração, agora não há quem encontre essa parte que me faz tanta falta, e que me impede de perceber alegria ou esperança em cada potencial que desperdiço, vivendo como um lunático que come as unhas na ânsia de encontrar algo que me ajude, ao menos. 
Não vou te pedir pra procurar, porque acho que tu também não deves saber onde ele está, e nem se deu ao trabalho, foi logo atrás de outro e roubou pra ti. Assim vai, se esvaindo minha juventude em tempos ermos, vou tentando me encontrar pra nunca mais viver assim, mas me acomodo e inclusive abraço essa solidão, que volta e meia faz questão de companhia, eu. Não me pergunto até quando isso vai durar, mas como isso vai acontecer. Vou continuar a andar com esse buraco do lado esquerdo, e vou continuar expondo minha ferida, pra todas as outras que me conhecerem, pra ficar bem claro, que um dia, eu amei com todo esse coração, que já foi cheio de alegria e amor, diferente do medo que me assola e me corrói, destruindo a capacidade de ser ingênuo, de perceber leveza e carinho em gestos simplórios. Afasto qualquer tipo de oportunidade valiosa pra me perder e me espreitar em caminhos sinuosos que vão acabar me levando a uma falência múltipla de órgãos. E se espalha, como um câncer que faz mais uma vítima incapaz. E a realidade aparece como um anti depressivo, cheia de efeitos colaterais. Além de toda debilitação, também perdi minha alma no caminho, mas diferente do meu coração, que não pretendo achar, quero um dia esbarrar na minha alma de novo e perguntar a ela que caminhos tomou e como nos encontramos. A pretensão de um dia poder voltar a viver plenamente é que enche meus pulmões, congestionados de fumaça, de algum tipo de esperança pífia, que apesar do adjetivo, tem efeito considerável. 
Minha reabilitação é a noite. 
Veja nos meus olhos, o medo, a desconfiança e o desgaste de uma madrugada pensante e insuportável. As lamúrias inconvenientes que simplesmente invadem a lucidez, a espancando e despachando num vazio esquizofrênico que exala nostalgia. Se a memória não estivesse do meu lado ao tempo todo, tomando café, fumando comigo, possivelmente estaria são e saudável, apenas com as marcas de uma cirurgia bem sucedida. Mas não, preciso viver com essa hemodiálise que insiste em se agravar, mostrando a instabilidade da saúde de mais um moribundo apaixonado, que também insiste em se curar, demonstrando, ainda que de maneira despercebida, estalos de lucidez e harmônia. Me posiciono a favor do sorriso, que quase não acho depois de ter perdido o teu na caminhada, mas vejo a saída um pouco mais longe, ainda estou na maca, internado, sob intensa observação. Não recebi nenhuma visita, nenhuma rosa, nem bom dia da enfermeira, ninguém espera minha melhora pois já fazem suposições de um possível velório, previamente marcado. Vou decepciona-los, fugir, sorrir, viver e amar, como nunca amei, como nunca vou amar...


- Guilherme Pollaco

segunda-feira, 19 de março de 2012

Comigo

Tão fúteis e desnecessários, míseros trocados no bolso furado de uma mala roubada. A pose e a ladainha dogmática explodem com múrmuros o interior mais vasto de minha mente. A cidade corrompe até meus pensamentos mais puros, os convertendo em maliciosos, mal intencionados.
Dedos inclinados ao pecado da luxúria, danças coreografadas a partir do erro divino, do momento da criação. Ligações que não chegaram, pragas que não vingaram, orações que não foram ouvidas, olhares ignorados, lágrimas contidas e sorrisos sufocados, memórias sucumbidas pela dor do presente e o medo do futuro. Era uma rua, agora não passa de uma dor, era uma menina, agora não passa de um monstro, era feliz, agora não passa de mim. 
A insignificância do teu jeito me congela, me faz nunca mais te querer, e assim te querer mais e mais ainda. E nessa aventura paradoxal, vou me embebendo de ti, e de tua sede por vitória, tua vontade de passar por cima de mime colocar tudo isso no tal baú da lamúria. 


Mas hoje não, hoje tu vai lembrar, vai chorar, comigo...


- Guilherme Pollaco

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012


Pensamentos de um Lunático que julgava ser Sábio



Não sei e nunca soube como começar textos, poemas, sonetos ou resenhas, e muito menos como conversar com garotas, é algo que não faz a menor diferença no enredo, ou faz, só vou saber no final. Viu, o inicio não importa, o que realmente faz diferença pra nós, é como vamos acabar, terminar, ou encerrar, a vida. Mas será que isso realmente importa?
Vejo adolescentes preocupados com o futuro da natureza, mas não conseguem analisar sua própria natureza, se dissertar. A minha mente trabalha tão rápido que não consigo processar todos os pensamentos, sabem como é certo?



Desperdiçamos nosso talento, com futilidades, com vícios, criamos problemas e crises existenciais que não existem, o placebo de nossa mente, nos torna catatônicos no campo da criatividade. Minha mente, agora vazia, trabalha infernalmente pra criar os tais problemas existenciais, que me mantem em cativeiro, trancafiado a minha própria consciência. Mediante citações, que na minha opinião não guiam ninguém, as pessoas continuam se iludindo que existe um mundo melhor, que alguma pessoa está esperando por ti ansiosamente, que tu vais ter o emprego dos sonhos, que quem acredita sempre alcança e por aí vai. Me poupe! Nem todo mundo alcança suas aspirações, nem todo rei é feliz, assim como nem sempre seguimos o destino que devíamos, é tudo só questão de realismo distorcido, somos protegidos desde o nascimento por uma cadeia de mentiras, um casulo de protecionismo, que nos leva ao regresso mental, a demência da acomodação, e isso vem se tornando cultural. Desde grades em nossas casas, até ladrões que acreditam na putrefação da sociedade(odeio usar essa palavra).


O que me leva a crer em tudo isso, é simplesmente, a analise fria e taxativa do meu convívio. Como disse, minha mente vazia, me levou a observar todos os acontecimentos que me cercam, e beirando a loucura, num ataque de solidão creio eu, sem exagerar, vi que precisava mudar minha existência pra continuar ''lúcido''. Alternar entre solidão e companhia me pareceu uma alternativa viável, já que nem sempre tu podes contar com todos. Isso é até uma questão egoísta pensando bem. Recorri a família em minha crise, e percebi, realmente: A família nunca falha. Mas isso não é auto-ajuda. Perdi o foco.


Guilherme Pollaco