terça-feira, 19 de junho de 2018

Brasília - Chernobyl

Brasília. Cidade fria, solidão é corriqueira. Terra da indiferença, do frio seco e cortante que rasga minha cara, meus lábios e sangra minhas narinas, minha garganta e me desidrata. Paredes pichadas, pessoas tristes, ansiosas e depressivas, acima de tudo, pessoas cheias de vírgulas e vazios... O sangue que escorre de minhas narinas e meus lábios advém dos pensamentos funestos e suicidas que perpassam minha mente segundo a segundo, minhas unhas não aguentam o ritmo ansioso de minha cabeça, que mais parece Chernobyl, uma usina exalando radioatividade. Para sempre e como sempre hiperbólico, me vejo cercado de futilidades tão banais que preenchem inutilmente o vazio que é existir, ainda mais em Brasília. Se em São Paulo não existe amor, em Brasília não existe nada. Um momento: existe sim, porém, não é nada agradável ou romântico. Existem grupos pré-formados de amigos plásticos e superficiais (panelinhas se quiser assim chamar), cheios de opiniões próprias e propostas políticas idealizadas, tão mal vergastadas em bares e festas da região central da cidade. Bares e festas estas, que são tão cotidianas que se tornam o maior atrativo da vida de tais pessoas, sendo a epitome da tristeza, uma vez que o torpor de tais eventos garante a plasticidade da rotina, sendo melhor viver entorpecido do que aguentar a "cruel realidade".

Não, não estou difamando a cidade da arquitetura moderna e corrupção endêmica, a capital, estou apenas expressando o que é viver aqui, o que é ser tão inseguro com certos posicionamentos, o que é ter medo de uma sociedade tão fria quanto o clima de junho/julho no cerrado brasiliense. 
A juventude brasiliense dos millenials (Geração Y), que antecede a vigente (Geração Z) tem sim ideais mais progressistas do que nossos pais, entretanto, também tem opiniões rasas e imaturas em diversas searas, e assim como em Chernobyl, tais opiniões as vezes tão veementes, são tóxicas. 
A insensibilidade e falta de compadecimento (empatia) em alguns setores é quase uma agressão física, tendo em vista que o brasiliense se torna mais egocêntrico e indifente do que a maioria de nosso país, de forma específica. O tratamento com algumas profissões mais "comuns"(garçons, motoristas, cobradores) em diversas situações beira o absurdo, e digo isso amigos de cadeira, pois já estive em tal posição. 
A futilidade e necessidade de atenção pífia que toma conta de nossos jovens é aterrorizante, um abismo de compras e conversas inúteis, que cada vez mais se tornam padrões de comportamento repetidos. O status toma conta da personalidade, o ter se torna o ser, e assim rumamos para o fracasso da ansiedade, depressão e transtornos múltiplos de personalidade. Não temos mais formas sinceras de demonstração de amor e carinho, apenas representações cibernéticas que são mais valorosas do que as presenciais.
Falhamos enquanto humanos, não só em Brasília ou Chernobyl, mas falhamos com tons lastreados. 
De tal forma, deturpamos o sentido de Ode, transformando-a em um canto triste e lúgubre, num poço de aparências fúteis, superficiais e idiotas, bradamos o ridículo, cegos e inexatos, fracassando sem ter a mínima noção de sucesso, e assim nos destinamos a uma catástrofe inexplicável, que é viver sem ter sentido, sem plenitude, a radiação de imbecilidade e idiotia tomou conta de nossos cérebros, pulmões e corações. Seguimos felizes na ignorância, na certeza de sermos rasos e egomaníacos. Portanto, não julguem os depressivos, os ansiosos, os transtornados, pois talvez o maior transtorno seja assistir o fracasso fútil de uma gama da sociedade sem poder fazer nada...E somos eternamente tristes na sabedoria. Ilhados em nossos posicionamentos tão fortes e contundentes, não percebemos que somos a maior massa de manobra já existente, pseudopensantes, pseudoTUDO, com rasos conhecimentos e muita opinião, embebidos em razão em nossas cabeças, porém, cheios de estupidez e reatividade, certamente. Necessário se faz uma reforma mental, aprofundar os conhecimentos e fatalmente obter alguns outros, para que haja uma análise profícua e perfunctória de variados assuntos. Devemos nos debruçar de maneira sincera e intensa aos nossos interesses e opiniões, buscar a parcimônia, razoabilidade, proporcionalidade, coesão e coerência em nossas palavras. Em suma, não devemos conceber vômitos sociais pouco embasados, sem fulcro algum, apenas opiniões de ódio, preconceito e burras. Estudar e avaliar nossas palavras, de modo a abalizar o conhecimento com provas, com ciência e destreza! Sem medo do terror que é a falta de conhecimento. 
Caso tenha sentido ódio ou desprezo por minhas humildes palavras, eu tenho uma má notícia...   


segunda-feira, 8 de janeiro de 2018

Pluralismo Personificado

Roendo as unhas, ouvindo Nirvana, sentado sozinho na biblioteca da faculdade, ensopado da chuva que tomei no caminho pra cá no único dia em que decido deixar o carro em casa para sair de ônibus. Levando em conta que não durmo a 2 dias, a situação poderia estar  pior, porém, quando olho para os lados apenas vejo lúgubres sombras que sussurram coisas tão horríveis em meus ouvidos que sequer as citarei. 
Não, eu não caí no clichê do "vitimismo depressivo", tampouco peço por pena ou compaixão, sei bem da minha sina e de minhas tomadas de rumos. Creio que pelo contrário, estou cada vez mais compreendendo meu pluralismo personificado, minhas luzes, minhas trevas e limbos, claro, a passos curtos, mas caminhando. 
Diferente de outrora, não tenho mais medo de meus demônios, os vejo como "almas" perdidas procurando seus caminhos, assim como este que vos fala. Agora enxergo na escuridão, aguço meus sentidos nela, afinal, claridade demais também cega. 
Encaro as batalhas com mais empatia, toda vez que os antigos demônios tentam me machucar, lanço um olhar sobre as antigas cicatrizes, de batalhas ulteriores buscando evolução, não me autossabotando como costumava fazer. 
De tal forma, vou aviltante para a guerra que é crescer, entender que se não é recíproco, não é nada, que é importante sentir a ferida alheia para poder medir o peso da pena, a intensidade do pulsar cardíaco. Reflito sobre a origem de tal postura, de tal abertura mental, e percebo que o tato empático/humano adveio de minhas lutas e conquistas com uma pessoa muito especial, e pasmem, não só isso, como também de minhas experiências para com terceiros, que as vezes eram ruins ou boas, mas acima de tudo, experiências, aprendizados, vivências. 
Como já dizia um sábio ditado: "c'est la vie". E é mesmo, e deve ser assim, não puxo pra baixo, nem pra cima, vou sempre em frente, buscando progressismo, por mais que a depressão e a ansiedade tentem carcomer todas as células restantes em mim, eu adquiri o poder de criar novas, exatamente: criar. 
O caminho é tênue, árduo, mas não impossível, e vou provar para mim mesmo que consigo evoluir, não para perpetuar qualquer tipo de experiência volátil, mas para que eu consiga deitar cada dia da minha vida, seja pela manhã e a noite, e respirar bem dentro de meu próprio corpo. Como se numa sequência orgástica de epifanias eu conseguisse encontrar meu Nirvana, e não a banda grunge dos anos 90 que supra mencionei, mas sim uma catarse de sentimentos, sensações e emoções quem me levasse a descobrir minha essência, é a minha Ilíada, me deparar comigo mesmo. 
Perpassa na minha cabeça como se fosse um exílio voluntário de meu físico com minha psique, uma terapia conjunta de mim mesmo. Paradoxal, não?! Pois é meus caros amigos, é exatamente isso que rasteia minha mente, não só isso, mas creio que consegui explanar a antítese psicológica dentro de minha pessoa, ou pessoas. 
Pois bem, entendo que as lamentações, paranoias e descargas emocionais existam e convivam muito bem dentro de mim com a minha pacificidade, com minha congruência, com meus pensamentos serenos e positivos, dual, plural, personificado.