Tente me fitar por 5 segundos e perceberá a indecisão presente em cada olhar, basta me conhecer pra saber que perdi meu foco e minha sanidade em algum bar, ou dentro de alguma garrafa que quebrei na parede, provavelmente por inconsequência, adolescentes... Não há conserto, como não há concertos, a música parou dentro de mim, esperando alguma decisão desse maestro que não para de mudar o tom da canção, decida-se grande mestre, afinal. Passo despercebido nos olhares cristãos de um ciclo vicioso de acontecimentos rotineiros, para enfatizar. Estou igualmente perdido a um futuro que já não me pertence, enchendo de ilusões e preenchendo o vazio com futilidades icônicas!! Queria eu poder engolir algum resquício de luz ou esperança, mas cuspi todos, me enganei, os confundi com os sentimentos que me permeiam; apenas uma linha seria esse texto, que se dane.
Por onde entrei, e será que tem saída? Creio que não creio e assim sigo, lamentando sucessões de fatos dos quais me arrependo e não sei lidar, muito menos descrever, por isso a subjetividade, por isso a falta de coesão e coerência textual. Acenda uma vela, quebre o vidro da minha janela, quem sabe eu acordo e começo a viver, de alguma maneira ou de outra, mas enquanto isso não acontece, vou enganando a todos, inclusive a mim mesmo, tento dizer que estou vivendo, mas não consigo sussurrar que estou morrendo, é complicado, talvez tenha algo haver com o orgulho, ou com a falta de discernimento necessário para perceber a beira do abismo, ou o fundo dele, como prefiro. Palavras completam meu pensamento, agindo normalmente para todos, mas meu ego reclama, e com tal constância que me sentiria mais confortável numa camisa de força, sedado, ou não, cruzes.
Ah, aprendi a repelir as pessoas interessantes de perto de mim, inconscientemente ou não, mas aprendi, um ponto por aprender alguma coisa. Ando fazendo isso bastante, mas continuo sabendo enganar a todos, de maneira dissimulada, aplausos. Arcar com responsabilidades não significa nenhuma lucidez, o foco que perdi, por outro lado, demonstra loucura total, e isso cada vez se torna perceptível a minha insana mente confusa. Não consigo me satisfazer, não consigo me preencher, cavei um buraco grande demais para ser totalmente preenchido, uso tanto essa palavra, acho que sei o porquê. Preciso, peço, imploro, que os espaços acabem, que pessoas ocupem esses lugares, no camarote... e com amor, por favor.
Guilherme Pollaco