domingo, 15 de julho de 2012

Putrefação ilícita de um Louco

Sinto novamente a agonia correndo em minhas veias, tão visceral quanto uma chacina impiedosa, que me corrói, que me atira num mar de solidão e rouba de mim tudo o que é puro, inocente e prazeroso, assisto de camarote a derrocada de um viajante que clama e chora por atenção, jogado ao destino que o próprio escolheu, com decisões precipitadas e adolescentes. Perdendo inclusive a criatividade continuo pelo caminho do orgulho que sacia momentaneamente meus desejos carnais, por um segundo sinto-me inerte e assim tento prosseguir, sem sucesso, a loucura me permeia, me domina, e bipolar sigo pra duas vidas totalmente distintas, o clichê do existencial. 
A misantropia não me parece má ideia, analisando friamente meus iguais, de maneira quase que anatômica, e assim consigo criar um ódio quase que apocalíptico de tudo, de todos e da maneira mais dissimulada escondo no meu profundo intimo essa raiva esquizofrênica, para que possamos continuar a viver nesse hospício que chamamos de sociedade... 
Cálculos e esperanças já não fazem parte de meus pensamentos, cada vez mais tendenciosos e confusos. Minha mente permanece um tumulo, cheio de cadáveres, ideias, minhas ideias. A carnificina não me apetece, porém sinto um leve prazer desgostoso no tocante de vícios, vícios esses que batem a minha porta e esmurram meu coração, e sinceramente, os deixo entrar, e assim se esvaí minha sanidade e também minha agonia, de maneira ainda que paliativa. O que posso dizer?! Simplesmente encaro a realidade como devo encarar, e me destruo de forma disfarçada, meu corpo não sente, já minha alma... Crio doenças de manicômios em minha mente, traço tumores em minha áurea, consigo inclusive corromper minha líbido, de tal forma que chega a ser explícito, nunca me senti tão porco. A verdade dói, a verdade sem filtro, o cuspe na tua cara arde, porque cuspo ácido, intenso e merecido e com isso me torno um pouco mais humano, não sinto o escárnio fétido que deixei na mesa daquele bar podre, cercado de prostitutas e velhos que já perderam sua dignidade para o álcool. Já não me importo com o próximo passo, muito menos me importo com que tu diz, já não faz diferença, a única coisa que me importa é tentar diminuir o peso secular e sombrio que assola minha alma, que se apodera do meu sorriso e da minha felicidade, se é que essa droga psicotrópica existe, e se existe compro pelo preço que for, dizem que não tem preço...




Guilherme Pollaco 





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