Eu pareço muitos, e muito me parecem iguais, e vivo assim, na ternura de encontrar alguém que me pareça mais, que mais do que pareça, que complete, que traga o clichê, a vontade de amar e a vontade de me dedicar. Preciso dos meus amigos quase que o tempo todo, pra me lembrar que existe razão pra amar, razão pra existir.
Tô tão diferente, tu tá muito diferente, tá tudo diferente, mas continuamos os mesmos quando nossos olhares se entrelaçam em um frenesi que quase nos leva a óbito, num infarto fulminante de lembranças e saudade, o coquetel nostálgico que nos brinda com mais uma festa. Me encolho no banheiro e penso: chega de lembrar. Como se em algum momento da vida eu tivesse controle sobre minha mente doentia e nostálgica, completamente apaixonada pela vida e acima de tudo, disposta a passar por todas as experiências. É como se em outra vida eu fosse algo tão insignificante que minha alma aproveitou essa encarnação para sofrer e sentir por completo, e estamos conseguindo, juntos. Sou eternamente e adolescentemente apaixonado, e por isso me atiro em penhascos femininos com tanta facilidade que poderia escrever um livro chamado: 'Como arruinar um relacionamento em 2 dias.' 2 dias, seria muito... A noite chega, ainda mais em Junho, que me traz esse vento que gela a ponta do nariz, as bochechas, e esse mesmo vento traz mágoas de tempos passados, num absurdo incrível de magnitude, um leviatã de lembranças que ficaram mal resolvidas e abismado, tento reverter essa condição inóspita, logo me jogarei em um buraco junto com esse monstro.
Me perguntaram diversas vezes quem eu sou, mas acho que tu consegue responder melhor do que eu, talvez. Não sei quem sou...
- Guilherme Pollaco
quarta-feira, 27 de junho de 2012
Perdão
Não sei se o avalanche de ideias ininterruptas me levarão a algum lugar, sei que o lugar da onde saem tais avalanches é um lugar quente, mais quente do que meu coração e mais frio do que tua mente, e talvez por isso me importe tanto com o futuro e me importe tanto com o que tu fala. Me apaixonei diversas vezes, imaginando gurias que seriam ideias, sendo inclusive seletivo, de maneira vulgar, e me deparei com transtornos existenciais, precipícios convidativos a um pulo e armas loucas para dispararem. Deixei de existir e me atirei num cata clisma, e me alimentei de poesia e música, além de vários maços pra te esquecer, ou pra suprir a falta que tu faz.
Nunca fui o poeta ideal, nem mesmo um poeta sou, vivo como lunático e ainda me orgulho dessa denominação que colegas a mim atribuem, pois pra mim não sou nada, não passo de um rascunho a ser desenhado na parede de um quarto de uma guria de 4 anos que acaba de descobrir uma caixa de giz de cera. Que nem eu lembra?! Quando te descobri, parecia um guri que acabou de aprender a soltar pipa, e só queria leva-la longe, o mais alto que puder, pra ser só minha. Minha mente me atormenta e me controla, o êxtase do vício já não traz tanto conforto quanto teu colo, te perdi no meio de tantas letras, cartas e poesias inacabadas... Sabe quando tu quer encontrar a pessoa, mas ao mesmo tempo tem muito medo desse encontro?! Eu me sinto assim, e prefiro amordaçar todos os meus sentimentos, os mantendo em cativeiro constante, até a morte, que se sufoquem, ou não.
Eu perco meu tempo e meu dinheiro com coisas que na real queria dar pra ti, mas tu preferiu outros presentes, outras melodias ou melodia nenhuma, como prefiro pensar. Se tu chegasse hoje, no clichê do romance, não sei o que faria e sendo assim, prefiro igualmente não pensar, pra não possibilizar a ideia na minha mente tão frágil, que só de pensar em te ter, abraça o pensamento. A insonia já nem me incomoda, o que incomoda mesmo é ele gritando dentro de mim, pedindo pra sair e não sei como liberta-lo, é amor, fica aí dentro mesmo que já dá pra viver, ou não. A loucura beira ao tédio da rotina, e assim caminho parado pra lugar nenhum, sem sabedoria adquirida e nem vontade de ter nada, assim fico, filosofando a parede e de maneira quase que involuntária, me atiro contra, tentando trocar de vida, tentando permanecer firme, gelado e uniforme, assim como a parede, que tanto me escuta.
Perdi a validade, a vaidade, perdi-me.
- Guilherme Pollaco
Nunca fui o poeta ideal, nem mesmo um poeta sou, vivo como lunático e ainda me orgulho dessa denominação que colegas a mim atribuem, pois pra mim não sou nada, não passo de um rascunho a ser desenhado na parede de um quarto de uma guria de 4 anos que acaba de descobrir uma caixa de giz de cera. Que nem eu lembra?! Quando te descobri, parecia um guri que acabou de aprender a soltar pipa, e só queria leva-la longe, o mais alto que puder, pra ser só minha. Minha mente me atormenta e me controla, o êxtase do vício já não traz tanto conforto quanto teu colo, te perdi no meio de tantas letras, cartas e poesias inacabadas... Sabe quando tu quer encontrar a pessoa, mas ao mesmo tempo tem muito medo desse encontro?! Eu me sinto assim, e prefiro amordaçar todos os meus sentimentos, os mantendo em cativeiro constante, até a morte, que se sufoquem, ou não.
Eu perco meu tempo e meu dinheiro com coisas que na real queria dar pra ti, mas tu preferiu outros presentes, outras melodias ou melodia nenhuma, como prefiro pensar. Se tu chegasse hoje, no clichê do romance, não sei o que faria e sendo assim, prefiro igualmente não pensar, pra não possibilizar a ideia na minha mente tão frágil, que só de pensar em te ter, abraça o pensamento. A insonia já nem me incomoda, o que incomoda mesmo é ele gritando dentro de mim, pedindo pra sair e não sei como liberta-lo, é amor, fica aí dentro mesmo que já dá pra viver, ou não. A loucura beira ao tédio da rotina, e assim caminho parado pra lugar nenhum, sem sabedoria adquirida e nem vontade de ter nada, assim fico, filosofando a parede e de maneira quase que involuntária, me atiro contra, tentando trocar de vida, tentando permanecer firme, gelado e uniforme, assim como a parede, que tanto me escuta.
Perdi a validade, a vaidade, perdi-me.
- Guilherme Pollaco
domingo, 24 de junho de 2012
Hospital
O que poderia acontecer, se por acaso me perdesse em teu olhar, se por outro acaso me deixasse ser levado pelo turbilhão de emoções que perpassa e atormenta minha mente, num frenesi adolescente, me mato e me embebo em paixão, em dor, e no mais fútil clichê de um filme hollywoodiano. Que me perdoe a razão, pois a perdi a muito tempo atrás, tentando encontrar alguém pra me curar dessa loucura, mas percebi que não era doença, mas faltava, sempre faltou... Faltou sentimento, alma, esperança, faltou você.
Eu desisti de tudo muito rápido e assim foi minha derrocada, tão singela e implacável. Caí como um brinco de uma moça qualquer que se perde na imensidão de um momento de prazer. Essa mesma moça também perdeu outra coisa: deixou cair em algum buraco meu coração, agora não há quem encontre essa parte que me faz tanta falta, e que me impede de perceber alegria ou esperança em cada potencial que desperdiço, vivendo como um lunático que come as unhas na ânsia de encontrar algo que me ajude, ao menos.
Não vou te pedir pra procurar, porque acho que tu também não deves saber onde ele está, e nem se deu ao trabalho, foi logo atrás de outro e roubou pra ti. Assim vai, se esvaindo minha juventude em tempos ermos, vou tentando me encontrar pra nunca mais viver assim, mas me acomodo e inclusive abraço essa solidão, que volta e meia faz questão de companhia, eu. Não me pergunto até quando isso vai durar, mas como isso vai acontecer. Vou continuar a andar com esse buraco do lado esquerdo, e vou continuar expondo minha ferida, pra todas as outras que me conhecerem, pra ficar bem claro, que um dia, eu amei com todo esse coração, que já foi cheio de alegria e amor, diferente do medo que me assola e me corrói, destruindo a capacidade de ser ingênuo, de perceber leveza e carinho em gestos simplórios. Afasto qualquer tipo de oportunidade valiosa pra me perder e me espreitar em caminhos sinuosos que vão acabar me levando a uma falência múltipla de órgãos. E se espalha, como um câncer que faz mais uma vítima incapaz. E a realidade aparece como um anti depressivo, cheia de efeitos colaterais. Além de toda debilitação, também perdi minha alma no caminho, mas diferente do meu coração, que não pretendo achar, quero um dia esbarrar na minha alma de novo e perguntar a ela que caminhos tomou e como nos encontramos. A pretensão de um dia poder voltar a viver plenamente é que enche meus pulmões, congestionados de fumaça, de algum tipo de esperança pífia, que apesar do adjetivo, tem efeito considerável.
Minha reabilitação é a noite.
Veja nos meus olhos, o medo, a desconfiança e o desgaste de uma madrugada pensante e insuportável. As lamúrias inconvenientes que simplesmente invadem a lucidez, a espancando e despachando num vazio esquizofrênico que exala nostalgia. Se a memória não estivesse do meu lado ao tempo todo, tomando café, fumando comigo, possivelmente estaria são e saudável, apenas com as marcas de uma cirurgia bem sucedida. Mas não, preciso viver com essa hemodiálise que insiste em se agravar, mostrando a instabilidade da saúde de mais um moribundo apaixonado, que também insiste em se curar, demonstrando, ainda que de maneira despercebida, estalos de lucidez e harmônia. Me posiciono a favor do sorriso, que quase não acho depois de ter perdido o teu na caminhada, mas vejo a saída um pouco mais longe, ainda estou na maca, internado, sob intensa observação. Não recebi nenhuma visita, nenhuma rosa, nem bom dia da enfermeira, ninguém espera minha melhora pois já fazem suposições de um possível velório, previamente marcado. Vou decepciona-los, fugir, sorrir, viver e amar, como nunca amei, como nunca vou amar...
- Guilherme Pollaco
Eu desisti de tudo muito rápido e assim foi minha derrocada, tão singela e implacável. Caí como um brinco de uma moça qualquer que se perde na imensidão de um momento de prazer. Essa mesma moça também perdeu outra coisa: deixou cair em algum buraco meu coração, agora não há quem encontre essa parte que me faz tanta falta, e que me impede de perceber alegria ou esperança em cada potencial que desperdiço, vivendo como um lunático que come as unhas na ânsia de encontrar algo que me ajude, ao menos.
Não vou te pedir pra procurar, porque acho que tu também não deves saber onde ele está, e nem se deu ao trabalho, foi logo atrás de outro e roubou pra ti. Assim vai, se esvaindo minha juventude em tempos ermos, vou tentando me encontrar pra nunca mais viver assim, mas me acomodo e inclusive abraço essa solidão, que volta e meia faz questão de companhia, eu. Não me pergunto até quando isso vai durar, mas como isso vai acontecer. Vou continuar a andar com esse buraco do lado esquerdo, e vou continuar expondo minha ferida, pra todas as outras que me conhecerem, pra ficar bem claro, que um dia, eu amei com todo esse coração, que já foi cheio de alegria e amor, diferente do medo que me assola e me corrói, destruindo a capacidade de ser ingênuo, de perceber leveza e carinho em gestos simplórios. Afasto qualquer tipo de oportunidade valiosa pra me perder e me espreitar em caminhos sinuosos que vão acabar me levando a uma falência múltipla de órgãos. E se espalha, como um câncer que faz mais uma vítima incapaz. E a realidade aparece como um anti depressivo, cheia de efeitos colaterais. Além de toda debilitação, também perdi minha alma no caminho, mas diferente do meu coração, que não pretendo achar, quero um dia esbarrar na minha alma de novo e perguntar a ela que caminhos tomou e como nos encontramos. A pretensão de um dia poder voltar a viver plenamente é que enche meus pulmões, congestionados de fumaça, de algum tipo de esperança pífia, que apesar do adjetivo, tem efeito considerável.
Minha reabilitação é a noite.
Veja nos meus olhos, o medo, a desconfiança e o desgaste de uma madrugada pensante e insuportável. As lamúrias inconvenientes que simplesmente invadem a lucidez, a espancando e despachando num vazio esquizofrênico que exala nostalgia. Se a memória não estivesse do meu lado ao tempo todo, tomando café, fumando comigo, possivelmente estaria são e saudável, apenas com as marcas de uma cirurgia bem sucedida. Mas não, preciso viver com essa hemodiálise que insiste em se agravar, mostrando a instabilidade da saúde de mais um moribundo apaixonado, que também insiste em se curar, demonstrando, ainda que de maneira despercebida, estalos de lucidez e harmônia. Me posiciono a favor do sorriso, que quase não acho depois de ter perdido o teu na caminhada, mas vejo a saída um pouco mais longe, ainda estou na maca, internado, sob intensa observação. Não recebi nenhuma visita, nenhuma rosa, nem bom dia da enfermeira, ninguém espera minha melhora pois já fazem suposições de um possível velório, previamente marcado. Vou decepciona-los, fugir, sorrir, viver e amar, como nunca amei, como nunca vou amar...
- Guilherme Pollaco
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