Perdidos no tempo, contemplando demônios
Paramos pra analisar, esse som mórbido
E gostamos, adoramos, dançamos e nos tornamos
Vendo a face corrompida do tempo, não quero continuar
Já perdi muitas partes, do corpo e da alma na batalha
E o herói ainda não nos salvou
A hostilidade se tornou recíproca, nos acostumamos com a desgraça
Agora nossos heróis não passam de meros borrões
E com a melodia sonora do fracasso, marchamos em frente
Os lamentos lúgubres, nos fazem valorizar o resto da caminhada
As visões aprofundam o sofrimento, acabando com o superficial
E assim, seguimos, marchando ao nosso próprio funeral
Milhões se perderam no caminho, outros desistiram
Correram, choraram e muitos caíram
Sua fisionomia não me parece saudável, sinto o cheiro de putridão
Tenho memórias, que anestesiam a solidão
Olhos para os lados, procurando uma solução, encontro corpos, multidão
Saturado de visões infernais, imaginando o que virá, me conformo
Lembro daquilo que minha mãe falava: ''Faça uma prece''
Fecho os olhos, elevando o pensamento
Não me livrei desse lugar, cheio de abutres, de jeito nenhum
Vou ficar aqui um bom tempo, sem amigo algum
Só que agora, sabedoria e paciência

