terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Resignar

Perdidos no tempo, contemplando demônios
Paramos pra analisar, esse som mórbido
E gostamos, adoramos, dançamos e nos tornamos
Vendo a face corrompida do tempo, não quero continuar

Já perdi muitas partes, do corpo e da alma na batalha
E o herói ainda não nos salvou
A hostilidade se tornou recíproca, nos acostumamos com a desgraça
Agora nossos heróis não passam de meros borrões

E com a melodia sonora do fracasso, marchamos em frente
Os lamentos lúgubres, nos fazem valorizar o resto da caminhada
As visões aprofundam o sofrimento, acabando com o superficial
E assim, seguimos, marchando ao nosso próprio funeral

Milhões se perderam no caminho, outros desistiram
Correram, choraram e muitos caíram
Sua fisionomia não me parece saudável, sinto o cheiro de putridão
Tenho memórias, que anestesiam a solidão

Olhos para os lados, procurando uma solução, encontro corpos, multidão
Saturado de visões infernais, imaginando o que virá, me conformo
Lembro daquilo que minha mãe falava: ''Faça uma prece''
Fecho os olhos, elevando o pensamento

Não me livrei desse lugar, cheio de abutres, de jeito nenhum
Vou ficar aqui um bom tempo, sem amigo algum
Só que agora, sabedoria e paciência
Vou resignar.



Guilherme Pollaco

Memórias

Como passou, ficou, e você esqueceu
Tratando-me como mais um
Que anestesiou e morreu
O passado condena, e o futuro não sei

As músicas me dizem pra continuar, ou correr
As poesias morreram junto comigo, e assim a dor
Olhe pra mim e diz que foi em vão
Quando preciso de ti, foges de mim

Escolheu teu caminho e que sejas feliz
Me deixando aqui, cometes o mesmo erro que eu
O resto de ti que sobrou quero jogar fora
Mas me prendo em enredos, histórias e memórias

Pode ficar aqui, apenas pra me consolar?
Creio eu que não preciso implorar
Foram apenas maus momentos?
Ou uma simples falta de entendimento ?

Enfim, não sei o que foi ou será
Sei que não vamos mais voltar
As carícias vão com a chuva
E você esquece, e meu coração padece



Guilherme Pollaco