quarta-feira, 27 de junho de 2012

Perdão

Não sei se o avalanche de ideias ininterruptas me levarão a algum lugar, sei que o lugar da onde saem tais avalanches é um lugar quente, mais quente do que meu coração e mais frio do que tua mente, e talvez por isso me importe tanto com o futuro e me importe tanto com o que tu fala. Me apaixonei diversas vezes, imaginando gurias que seriam ideias, sendo inclusive seletivo, de maneira vulgar, e me deparei com transtornos existenciais, precipícios convidativos a um pulo e armas loucas para dispararem. Deixei de existir e me atirei num cata clisma, e me alimentei de poesia e música, além de vários maços pra te esquecer, ou pra suprir a falta que tu faz.
Nunca fui o poeta ideal, nem mesmo um poeta sou, vivo como lunático e ainda me orgulho dessa denominação que colegas a mim atribuem, pois pra mim não sou nada, não passo de um rascunho a ser desenhado na parede de um quarto de uma guria de 4 anos que acaba de descobrir uma caixa de giz de cera. Que nem eu lembra?! Quando te descobri, parecia um guri que acabou de aprender a soltar pipa, e só queria leva-la longe, o mais alto que puder, pra ser só minha. Minha mente me atormenta e me controla, o êxtase do vício já não traz tanto conforto quanto teu colo, te perdi no meio de tantas letras, cartas e poesias inacabadas... Sabe quando tu quer encontrar a pessoa, mas ao mesmo tempo tem muito medo desse encontro?! Eu me sinto assim, e prefiro amordaçar todos os meus sentimentos, os mantendo em cativeiro constante, até a morte, que se sufoquem, ou não. 
Eu perco meu tempo e meu dinheiro com coisas que na real queria dar pra ti, mas tu preferiu outros presentes, outras melodias ou melodia nenhuma, como prefiro pensar. Se tu chegasse hoje, no clichê do romance, não sei o que faria e sendo assim, prefiro igualmente não pensar, pra não possibilizar a ideia na minha mente tão frágil, que só de pensar em te ter, abraça o pensamento. A insonia já nem me incomoda, o que incomoda mesmo é ele gritando dentro de mim, pedindo pra sair e não sei como liberta-lo, é amor, fica aí dentro mesmo que já dá pra viver, ou não. A loucura beira ao tédio da rotina, e assim caminho parado pra lugar nenhum, sem sabedoria adquirida e nem vontade de ter nada, assim fico, filosofando a parede e de maneira quase que involuntária, me atiro contra, tentando trocar de vida, tentando permanecer firme, gelado e uniforme, assim como a parede, que tanto me escuta.
Perdi a validade, a vaidade, perdi-me.   




- Guilherme Pollaco

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