terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

Tranfusões

Ultimamente, afásia e dúvidas constantes vem assolando o meu viver. Mas tudo bem, ao passo que me sinto e me torno cada vez mais sério, engessado, e pouco receptivo as interações que agora parecem muito estapafúrdias, e pouco aproveitáveis. 
Os olhares, a disputa da carne, o cerco que os homens fazem as mulheres, em busca de algo extremamente pífio e carnal, agora se torna vulgar e descartável sob o meu ponto de vista, o mundo cada vez mais se importa com questões pouco pontuais, e nesse passo rumamos para o triste desatino que é o fracasso. Fracasso. Fracasso. Regado por maquiagens tão superficiais, cabelos bem produzidos, frases de efeito que parecem ter saído da novela das nove, quanto o sorriso que outro dia recebi, de um olhar que passou despercebido. 
Perdeu-se a sensibilidade, o calor e o amor. Vivamos o tempo em que a religião é mais importante que o caráter, que o bolso é mais valioso do que os princípios, que o prazer é mais importante que a paixão. Onde a verdade é escondida e a mentira colocada num pódio, como sinônimo de orgulho, e ainda que a falsidade é motivo para sorrir, completamente corrompidos estão os cidadãos de bem, que não possuem mais o discernimento de encarar a podridão que infesta esse planeta, os esgotos que são as veias de nosso sub-mundo, cada vez mais se enchem de algo que é muito pior do que lixo: são os cadáveres de nossas crianças, atirados numa vala, cheios de resíduos de rancor, ódio, sofrimento, tristeza, raiva, violência e junto com tais cadáveres, está o nosso futuro, estuprado, violado, corrompido, violentado, reprimido, isolado, apedrejado junto com nossas esperanças, neste momento representadas por pombos, que antes eram brancos, mas estão sujos de óleo, petróleo e dinheiro, dinheiro este que adveio do lucro com os abortos de nossos bebês que realmente não merecem ver o que este mundo está se tornando. 
Escorre sangue pelas paredes do Congresso, escorrem lágrimas pelas bochechas secas das mães de nosso interior. Eu enlouqueço, raspando minhas unhas nas paredes da lucidez, pra ver se assim consigo estar mais próximo dela, sendo que ao passo que faço isso, a estaca da lamúria e da agonia insiste em me perfurar profundamente, o que não me deixa triste por final, tendo em vista a esquizofrenia apática que pulsa entre as pessoas, como um vírus, as fazendo vomitar sua bondade, suar sua compaixão, queimar o amor, realizando assim uma transfusão. Não existe sinceridade, não existe amor, não existe verdade, se tu achas que isso existe, estás perdido no passado, tão morto e compilado, se tu achas que estou mentindo, eu mesmo fui ao velório do passado, lembro-me bem, pois foi a última vez da qual consegui expressar um sentimento bom: Compaixão. Derramei lágrimas pelo passado que ali jazia, estava tão morto que nem sentia, que ali se esvaía, o último suspiro de alegria. 
Repudio a sociedade onde sobrevivo, pois a futilidade e a tolice reinam e parecem nortear as decisões de grande parte da população, por isso me abdico deste sangue puro, farei uma transfusão. Não nego meu intelecto, prefiro morrer sabendo que a sociedade já faleceu a tempos, do que viver na ignorância pensando que sou feliz.