Sabe quando tu acha que nada pode dar certo pra ti?! Que o destino decretou fim e ponto final?! A vida parece caminhar para mais um momento soturno e distante dos sorrisos, estar pensativo se torna meu estado natural, o pensar nas consequências de tal época me fazem arrepiar, suar frio, e desacreditar. O fim de uma era áurea e regada a bons frutos, o início de uma era negra, sombria e obscura, que tende a me violentar constantemente, com esses desatinos dos quais a gente nunca espera, essa forma bisonha e grotesca que a vida tem de nos deixar pra baixo e relutante, desde o momento em que abrimos nossos olhos, até o momento em que o fechamos novamente para dormir.
Pois é, esse mal do século tem me acometido, de maneira atroz e corrupta, encerrando minhas alegrias, tolhendo minhas esperanças, e arrancando de mim as paixões e prazeres da vida. Sei naturalmente que existem pessoas com problemas mais graves e sérios do que os meus, mas não posso deixar de analisar que os meus problemas são de uma gravosidade diferente, esses problemas me assolam a mente, espancam meu sono, vivem estapeando minhas esperanças, além de inibir e me iludir sobre possíveis amores e oportunidades. Parece torpe, banal e ingênuo,mas a partir do momento em que esses problemas se tornam intrínsecos a ti, e começas a perceber que não existe mais o que fazer acerca de tal assunto, tu vais ficar desesperado, perder aquilo que conquistastes, e batalhastes por isso, mas infelizmente, o sopro que a vida lhe deu foi em direção contrária.
Estigmatizado pela vida fúnebre e sombria que levo, me atiro em sarjetas que ilustram contextualmente minha situação, me envolvo em situações de extrema insanidade mental e física, além de primar pela auto-destruição como um princípio basilar de vida. Carteiras de cigarro jogadas num mezanino, garrafas aleatoriamente distribuídas pelo quarto, e uma garota que dorme nua em minha cama, ainda sentindo a ressaca da noite anterior, noite esta que foi tão imprudente que não conseguimos contabilizar o número de garrafas despendidas nessa maquiavélica aventura carnal.
Uma nota sobre a noite: Naturalmente afrodisíaca, com os perfumes femininos e risadas embriagadas, atraí os boêmios para um antro de perdição neurótico, com amores plásticos e garrafas de vidro, mulheres desgarradas e homens perdidos, sinto o cheiro do teu ódio exalar do coração, mas não está noite, onde me tens, e não está em solidão.
Podemos nos sentir o maior lixo deprimido que esta terra já viu, porém, quando nos abraçamos com a escuridão que segue cada letreiro de boate fétida e insuportável que nos chama, como num hino, disfarçamos nosso rancor, ódio e súplica por amor, num disfarce, de alter-ego, maníacos por carne, luxúria e prazer, soltos em um barril misturado com sangue, suor e desejo. Nos alimentamos de almas, sejam elas puras ou corrompidas, porque a partir do momento em que conhece um boêmio, uma alma se corrompe, ainda que este seja um buda, mas a noite não admite inocência. A noite é como a praga que infesta tua casa, mas por algum motivo extraterrestre, se torna uma simbiose e cativa todos os teus pensamentos. Nada melhor do que a noite, para curar sentimentos ressabiados dentro de uma mente sodomizada por uma paixão, nada melhor do que a noite para unir um casal que acaba de se conhecer, nada melhor do que a noite para poder abrandar sensações de culpa e rancor, além de sentimentos de amor, e nada melhor do que a noite para se despedir.