segunda-feira, 19 de março de 2012

Comigo

Tão fúteis e desnecessários, míseros trocados no bolso furado de uma mala roubada. A pose e a ladainha dogmática explodem com múrmuros o interior mais vasto de minha mente. A cidade corrompe até meus pensamentos mais puros, os convertendo em maliciosos, mal intencionados.
Dedos inclinados ao pecado da luxúria, danças coreografadas a partir do erro divino, do momento da criação. Ligações que não chegaram, pragas que não vingaram, orações que não foram ouvidas, olhares ignorados, lágrimas contidas e sorrisos sufocados, memórias sucumbidas pela dor do presente e o medo do futuro. Era uma rua, agora não passa de uma dor, era uma menina, agora não passa de um monstro, era feliz, agora não passa de mim. 
A insignificância do teu jeito me congela, me faz nunca mais te querer, e assim te querer mais e mais ainda. E nessa aventura paradoxal, vou me embebendo de ti, e de tua sede por vitória, tua vontade de passar por cima de mime colocar tudo isso no tal baú da lamúria. 


Mas hoje não, hoje tu vai lembrar, vai chorar, comigo...


- Guilherme Pollaco

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